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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Pincelada: Vânia Mignone

Foto: Thiago Ferri (SESC/SP)

O conceito de narrativas enviesadas se encaixa no trabalha de Vânia Mignone (1967-) na medida em que a artista cria suas narrativas de maneira não linear. Sua preocupação está em criar obras pessoais, que revelem sua origem e formação, porém sem ignorar a expansão gerada a partir da presença de quem as observa. Neste ponto, Mignone acredita que seu trabalho conversa bem com as pessoas, ainda que gerem incômodos e tensões.
Seus interesses em xilogravura, desenho, quadrinhos, artes gráficas, cartazes publicitários e poesia concreta se fazem reconhecíveis na sua obra, a qual se forma a partir da junção entre imagem, texto e cor. Para a artista, não há como realizar uma obra sabendo como vai começar e onde vai terminar. Suas pinturas não são totalmente pensadas, mas potencializadas no acaso, permitindo assim, que cada observador invente sua própria narrativa. 



Referência:
Katia Canton. Narrativas enviesadas. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009 (Livro).


domingo, 24 de maio de 2015

II Encontro de Culturas Urbanas



O Encontro de Culturas Urbanas vem dar apoio as constantes discussões sobre arte e público levantadas por pessoas de todo mundo. Este tema nos estimulou a considerar que as manifestações culturais podem/devem ser realizadas em esferas públicas para permitir que a sociedade possa fruir dos trabalhos realizados sob influência do meio em que o artista está inserido.
No domingo, dia 7 de JUNHO a Láudano Artes realizará a segunda edição do encontro no Kubitschek Bar (Av. JK, 441), buscando a aproximação entre artistas e público ao proporcionar a fruição de trabalhos culturais de artistas iniciantes, amadores e profissionais para fomentar a produção cultural contemporânea da região de forma gratuita.
Os interessados em expor seu trabalho visual (escultura, fotografia, pintura, desenho, instalação, performance, etc), cênico (teatro, circo, DANÇA, etc) ou híbrido, entrem em contato pelo e-mail promotor@laudano.art.br ou pelo telefone 44-99149489.

Confira abaixo o vídeo do PRIMEIRO encontro com a cobertura do programa Canta Cidade:

terça-feira, 31 de março de 2015

A arte dos connoisseurs chineses

A civilização chinesa passou por inúmeros períodos de caos, instabilidade e guerra civil ao longo de sua imensurável história. A origem deste povo é imprecisa e está cercada de mitos e lendas que se confundem com as evidências arqueológicas daquele país. Desde os mitológicos líderes pré-dinásticos, passando pela fábula do Imperador Amarelo até o registro chinês do dilúvio universal, a cultura chinesa se mostra recheada de alegorias que a torna tão singular até os dias de hoje. Não é à toa que suas lendas se transformam constantemente em releituras nos mais diversos suportes artísticos, seja no cinema, nas artes visuais, no teatro ou nos quadrinhos. Por exemplo, qual jovem não conhece o personagem Son Goku, o protagonista do mangá Dragon Ball? Este foi livremente baseado na lenda denominada Saiyuki a qual está repleta de elementos budistas e taoistas.


Assim como na arte egípcia, vemos na antiga produção cultural chinesa uma forte inspiração da religião. O Budismo influenciou a arte chinesa ao introduzir uma nova abordagem da pintura: a reverência pela realização do artista. Este expressava sua personalidade e caráter por meio da técnica com pincel e tinta utilizada por seus antecessores. Ou seja, desde tempos remotos, a China já tinha apreço pela originalidade enquanto expressão da personalidade, mesmo sem ignorar os mestres famosos e muito menos abdicar de certos cânones para atingir maestria. Conhecido por Os Seis Cânones da Pintura, a tradição estabelece seis elementos essenciais para orientar a criação da obra.

A criação artística, para este povo, não era considerada como uma tarefa subalterna, por isso que os pintores eruditos eram denominados connoisseurs, grandes mestres. Também sendo primorosos na fundição do bronze e apreciadores da arte funerária/tumular, esta civilização se distinguia da egípcia nas concepções estéticas a qual nota-se a preferência por curvas sinuosas que sugerem movimento e graciosidade. Isso provavelmente se dava pela tênue semelhança que os chineses aplicavam na escrita caligráfica e na pintura. Tanto uma quanto a outra necessitavam dos mesmos equipamentos e buscavam a mesma meta de propiciar um estado meditativo para quem as contemplasse. Assim, frequentemente, o artista escrevia versos poéticos no mesmo rolo de seda em que pintava. E mesmo que estas fossem monocromáticas, o domínio da variação de tons e dos estilos de pinceladas conduziam o artista ao aperfeiçoamento do que chamavam de Cinco Cores.

Daí que surge a estética chinesa da cor, das técnicas monocrômicas, das pinceladas firmes e vigorosas, da identificação do connoisseur chinês com o princípio da vida. O ato de pintar era visto como uma expressão de maturidade, assim, antes de se dedicarem à pintura, os artistas primeiro se destacavam na sociedade como eruditos, calígrafos e/ou poetas. Pois a pintura não era vista como profissão, assim os pintores chineses atingiam sua excelência depois de se submeterem à uma rigorosa disciplina intelectual. Ao conduzirem-se por esta via tão distinta dos ocidentais, embora pudessem produzir réplicas da realidade ou imitar a natureza como os gregos, os artistas orientais colocavam primeiro sua personalidade em harmonia com o princípio cósmico e permitiam que seu coração se integrasse com o ch'i, para que o Tao se expressasse por meio dele, fazendo da pintura uma extensão da arte de viver.


Referências:
Ernst Hans Gombrich. A HISTORIA DA ARTE. Rio de Janeiro, 2013 (Livro).

Harold Osborne. ESTÉTICA E TEORIA DA ARTE - uma introdução histórica. Londres e Harlow, 1968 (Livro).


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Encontro de Culturas Urbanas

Em Agosto de 2014 a Láudano Artes realizou a primeira edição do Encontro de Culturas Urbanas em Maringá. Com exposições de trabalhos das artes visuais, dança e musica em um único evento, o encontro apelou para a tendência contemporânea de HIBRIDAÇÃO, onde apoiados nos escritos da arte-educadora Ana Mae Barbosa, vimos a necessidade de PLURALIZAR.