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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Origens E Símbolos da Páscoa


Assista uma breve pincelada sobre conteúdos culturais e artísticos relacionados às origens e símbolos da páscoa, com o prof. André D.X.

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Imagens de Deus e do Natal


Assista uma breve pincelada sobre conteúdos culturais e artísticos relacionados às imagens de Deus e do Natal, com o prof. André D.X.

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segunda-feira, 6 de abril de 2015

O apocalipse da Idade Média

Desde as primeiras manifestações cristãs nas catacumbas romanas até a Igreja Católica finalmente perceber a importância e força das visualidades para arrebatar fiéis passaram-se séculos. A arte medieval voltada para a filosofia e teologia fortaleceu as instituições oficiais do Cristianismo onde até mesmo as concepções arquitetônicas dos templos traz exemplo das manifestações ligadas à fé cristã deste período que chamamos de Idade Média. Situado entre o século V e XV de nossa era, iremos propor seu apocalipse - no sentido grego de revelar/desvendar - assim sendo, sua revelação por meio da investigação de seu contexto histórico, cultural e imagético. 

Pelas ruas de Roma ou de qualquer outra cidade ocidental do século IX o povo vivia num período de trevas. As condições de vida eram precárias para os cidadãos que frequentemente sujos, com cabelos cumpridos e ensebados, tomavam um ou no máximo dois banhos anuais. Era neste mundo de varíola, pulgas e percevejos que a sociedade medieval se dividia basicamente em senhores, religiosos e vassalos. Dentro dos feudos o povo era predominantemente analfabeto e sua devoção religiosa na verdade sustentava os luxos dos nobres e clérigos. A arte realizada neste período não representava esta situação deplorável, mas por serem encomendados pelos membros do Clero, e em sua maior parte compostos dentro das igrejas, as visualidades medievais propagavam a fé cristã recorrendo ao contraste do bem e do mal. De um lado se via a beleza dos anjos no paraíso e do outro a escuridão e o calor do hades utilizados para conter as ambições do povo, pois este controle social foi mantido pelo imaginário de que as pessoas que tivessem uma conduta incorreta iriam para o Inferno.


Na intenção de exaltar a diferença entre o bem e o mal, a iconografia do Diabo e a espacialidade foram estimuladas na criação de uma relação de medo e obediência nas obras sacras. Geralmente os anjos e escolhidos de Deus são alocados do centro pra cima das obras, preferencialmente dispostos à direita de Cristo, enquanto as figuras dos condenados e pecadores são dispostos no canto inferior esquerdo, na maioria das vezes nus, distorcidos, contorcidos e diminuídos em relação aos homens santos. Deste modo, os temas recorrentes nas pinturas eram o Apocalipse e o Juízo Final. O primeiro ganhou popularidade entre os séculos VIII e X, e também simbolizava a Igreja na luta contra suas dissidências internas, enquanto o segundo se destacou na luta da Igreja contra os inimigos externos, dentro da lógica da Inquisição, na qual quem não apoiava o Papa e o Imperador eram acusados de amigos do Diabo.

Mesmo que este período seja considerado de trevas, também foi palco da aparição das três expressões artísticas medievais, conhecidas por bizantina, românica e gótica, principalmente ligadas à arquitetura na forma com que erguiam suas basílicas e catedrais. Outros suportes frequentes que estas expressões se apresentam até hoje são através de mosaicos, vitrais multicoloridos, painéis de madeira e iluminuras. Estas expressões da arte medieval cumpriram os anseios e objetivos da Igreja em provocar nos fiéis um misto de fascinação e medo, trazendo os personagens das Escrituras para a esfera do visível. Deste modo, ainda que controlassem as produções e a vida dos cidadãos comuns, não extinguiram sua imaginação, do contrário, abriram as portas para a visualidade ao transformar a maneira do homem ver o mundo e assim permitir o seu renascimento.


Referências:
Márcia Schmitt Veronezi Cappelari. A ARTE DA IDADE MÉDIA COMO CONSTRUTORA DE UM CONCEITO VISUAL DE MAL. Revista Mirabilia 12. 2011 (Artigo)


domingo, 22 de março de 2015

Carta aos Romanos

Assim como nas civilizações já mencionadas anteriormente, os romanos também eram politeístas. A variedade de deuses adorados nas mediações do Império Romano era tamanha que, durante o reinado do Imperador Adriano, foi construído o Panteão de Roma com o intuito de reunir o culto à todas estas divindades em um único templo. As construções arquitetônicas desta civilização se desenvolveu em um caminho distinto dos gregos devido ao uso dos arcos e abóbadas, os quais permitiram que os romanos criassem espaços internos mais amplos e também os famosos aquedutos. Neste contexto histórico, temos o conhecimento de Saulo de Tarso, cidadão romano de procedência judaica que ficou bastante conhecido pela perseguição dos primeiros cristãos na Judeia até que o próprio Jesus lhe apareceu na estrada de Damasco. 

Ironicamente, Saulo que era o perseguidor de cristãos, ao se tornar um, foi perseguido pelos judeus e só não foi crucificado pois era um cidadão romano. Antes de ser capturado e preso em Jerusalém, Paulo escreveu sua famosa carta para os cristãos que residiam em Roma, aproximadamente em 57 d.C, anunciando seu entendimento sobre o evangelho e as doutrinas dos seguidores de Cristo. Difícil é tentar compreender a gradual expansão do cristianismo mesmo neste contexto de perseguição. Desde o ano 64 de nossa era com o Imperador Nero até 305 sob o governo de Diocleciano, cristãos eram assassinados, incendiados e brutalizados para o entretenimento da população romana. Deste modo, Paulo escreveu para aqueles desamparados que não tinham templos para se reunir, mas que devido às perseguições, realizavam suas assembleias dentro de residências e também em galerias subterrâneas conhecidas por catacumbas.


O espaço dentro dessas galerias serviam inicialmente para sepultar os mártires, aqueles que morreram pela sua fé e que desejavam ser ressuscitados por Jesus integralmente, já que acreditavam que o costume romano de cremação poderia interferir neste objetivo. Quando estas galerias foram redescobertas, descobriu-se as primeiras manifestações de pintura cristã realizadas inicialmente por homens do povo e não grandes artistas, daí as características simples e até mesmo toscas, de forma rude ou grosseira como é relatada pelos historiadores. Nestas pinturas simbolistas, vemos por exemplo o peixe, que em grego se escreve ICHTYS coincidindo com a expressão "Iesous Christos, Theou Yios, Soter" (em português "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador") e o qual inclusive é utilizado por cristãos até os dias de hoje. Este relacionamento entre arte e cristianismo se tornou cada vez mais íntimo e isto pode ser observado na arte bizantina, gótica e até mesmo depois da Idade Média.

Saulo, que também era chamado de Paulo, após se converter fez três viagens missionárias e só conheceu a capital do Império quando tinha cerca de cinquenta anos. O livro bíblico de Atos dos Apóstolos narra esta viagem de Cesareia à Roma no capítulo 27, sendo considerado o relato mais completo daquele tempo de uma viagem por mar num navio à vela. Neste mesmo livro, temos um outro curioso relato ocorrido na cidade de Éfeso localizada na província asiática do Império Romano, onde um ourives chamado Demétrio lucrava muito com a venda de miniaturas do templo da deusa Diana em prata, e viu seu negócio ameaçado com a pregação monoteísta de Paulo e seus companheiros. Estes últimos foram capturados pelos cidadãos de Éfeso e levados à um teatro onde só não foram assassinados pela multidão revoltada graças à intervenção do secretário da prefeitura da cidade.


Referências:
Graça Proença. HISTÓRIA DA ARTE. Sem ano (PDF).

Sociedade Bíblica do Brasil. BÍBLIA DE ESTUDO NTLH. 2012 (Livro)*.


*Esta tradução também pode ser acessada NESTE LINK.