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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Pincelada: Rubens Gerchman

Foto:AE

Em 2011, a preservação do acervo do artista brasileiro Rubens Gerchman (1942-2008) foi garantida graças ao Edital Pro Artes Visuais da FUNARTE, garantindo a criação do Instituto Rubens Gerchman e o lançamento do livro que gerou esta publicação: "Rubens Gerchman, o rei mau gosto". Seu trabalho consiste em pinturas, esculturas, fotografias, assemblagens e mais uma porção de obras em técnicas mistas que ajudam a pincelar a figura deste importante personagem.
Quando Nara Leão descreveu a obra "Lindonéia, a Gioconda do subúrbio" para Caetano Veloso, este compôs uma música homônima sem ao menos tê-la visto, lançando-a em seguida no LP "Tropicália ou Panis et circensis", de 1968, na voz da cantora. Gerchman se responsabilizou pela autoria da capa deste disco e fora isso, colaborou nos parangolés do também artista Hélio Oiticica, aquele mesmo que expôs no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1967, a obra Tropicália que, posteriormente, daria o nome ao movimento cultural baiano.


Referência:
Clara Gerchman. Rubens Gerchman, o rei do mau gosto. São Paulo: J. J. Carol, 2013 (Livro).

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Pincelada: Frans Krajcberg

Foto: Felipe Gesteira
De origem polonesa, Frans Krajcberg* chegou ao Brasil em 1948, aos 27 anos. Mesmo tendo estudado na Escola de Belas Artes de Stuttgart, Alemanha, teve que trabalhar como operário do Museu de Arte Moderna para manter-se em São Paulo. Em 1951, além de participar na I Bienal Internacional de São Paulo, também expôs no 1º Salão de Arte Moderna de São Paulo pinturas que havia desenvolvido paralelamente ao seus serviços no museu.
Depois de morar em diversas cidades brasileiras, desenvolveu sua pesquisa artística rumo à exploração das inúmeras possibilidades dos materiais naturais. Com trabalhos que reaproveitam madeiras de queimadas e pigmentos da natureza, Krajcberg denuncia os crimes ecológicos e transforma os restos da natureza em seu próprio discurso de defesa. Como se suas obras nos traduzisse o pedido acanhado da natureza: "Você que gosta tanto de mim, por que não me defende?"

*Pronuncia-se "frans crájiber"

Referência:
Renata Sant'Anna e Valquíria Prates. Frans Krajcberg: a obra que não queremos ver. Coleção arte à primeira vista. São Paulo: Paulinas, 2006 (Livro).


terça-feira, 2 de junho de 2015

Fragmentos de Marcelo Monteiro

Com a palavra, D.X:

Dos meus amigos que trabalham com arte, tenho certeza que o que mais tem se destacado na área das Artes Visuais é o Monteiro. Tenho receio em descrever as impressões que tive ao presenciar sua exposição intitulada Fragmentos, pois poderia gastar meus dedos redigindo centenas ou milhares de palavras e mesmo assim elas formariam uma síntese injusta e incompleta do que é experienciar o seu trabalho. Sempre que o encontro pessoalmente faço questão de me perder em conversas que podem parecer longas para quem está de fora, pois além de sincero e empolgante, a expressividade que o torna criatura viva é a mesma que se faz intrínseca em suas peças. 


Outra coisa que permeia nosso bate-papo é o tal do olhar de fora, a preocupação com o visitante leigo e o respeito ao público. Presenciei a realização de dois monumentos que pertencem à uma série desenvolvida em uma oficina improvisada na Universidade Estadual de Maringá e também fui convidado a dar uma lascada no imenso tronco de árvore que ainda estava em processo de concepção. Destes trabalhos, o mais recente carrega a essência de outras peças expostas no Convite às Artes Visuais, o vazado. A exposição não contou com nenhum de seus monumentos que se impõem pelas calçadas da UEM, pelo contrário, o que presenciei eram esculturas reduzidas em tamanho, mas não em significado.
Do rude ao delicado e do áspero ao polido a maior beleza de seu trabalho, em minha concepção, sempre será a tridimensionalidade. E não somente na robustez dos trabalhos mas também nas lacunas que se preenchem com o que está além da obra. Aqui até o vazio se faz completo. Que estes fragmentos nunca sejam comparados à migalhas, mas à uma parte de um todo que se ergue diariamente na consagração do monumental Marcelo Monteiro.