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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Pincelada: Alfredo Andersen

Autorretrato, 1926. Óleo s/ tela, 35 x 27 cm. Museu Alfredo Andersen.

Considerado o mestre da pintura paranaense, Alfredo Andersen (1860–1935) foi um artista norueguês que se mudou para o Paraná no final do século dezenove vivendo, inicialmente, de retratos sob encomenda e decorações enquanto se adaptava à sociedade brasileira. No ano de 1902 fixou residência em Curitiba e começou a lecionar desenho na Escola Alemã, no Colégio Paranaense, na Escola de Belas Artes e Indústrias e também em seu ateliê onde realizava exposições e ensinava desenho e pintura.
Sua produção artística tem por características a constante imitação do natural na mistura entre os estilos romântico, realista e impressionista, e pode ser dividida nas fases norueguesa, litorânea e curitibana. Mesmo produzindo muitos retratos e paisagens, foi nas cenas de gênero que o pintor alcançou as criações mais espontâneas. Em sua última fase, Andersen experimentou pinceladas mais soltas e ousadas, mostrando maior interesse pela representação da luz do que do tema, revelando emoções puras peculiares de um artista escandinavo em terras brasileiras.


Referência:
Lilian Hollanda Gassen. Mudanças culturais no meio artístico de Curitiba entre as décadas de 1960 e 1990. (Dissertação).

Museu Casa Alfredo Andersen (Site).


terça-feira, 30 de agosto de 2016

Pincelada: Lasar Segall

Autorretrato III, 1927. Óleo s/ tela, 50,5 x 39 cm. Museu Lagar Segall.
Podemos dizer que Lasar Segall (1891-1957) investiu em sua formação artística. Partiu de um bairro judaico da Lituânia em direção ao ensino acadêmico em Berlin e Dresden, na Alemanha e após uma breve temporada no Brasil, expondo obras em Campinas e São Paulo na década de 1910, o artista se deparou com a visibilidade das vanguardas expressionistas que mudaram o cenário artístico alemão.
Em seus primeiros trabalhos, Segall se encontrava distante da primeira geração expressionista pois na academia de Belas Artes adquiriu tendências realistas e impressionistas as quais prevaleceram nas pinturas vendidas em terras brasileiras. Inclusive, a imagem de exotismo do país na memória do artista pesou em sua decisão de se instalar definitivamente no Brasil na década de 1920, quando trouxe consigo sua esposa e sua experiência artística. Neste período, o pintor já investia na deformação cubo-expressionista devido ao impacto das estéticas vanguardistas, porém sem perder seu substrato naturalista.


Referência:
Fernando Antonio Pinheiro Filho. Lasar Segall: arte em sociedade. São Paulo: Cosac Naify e Museu Lasar Segall, 2008 (Livro).

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Desenvolvimento da Arte Moderna no Brasil

Com a consolidação da Academia Imperial do Rio de Janeiro, alguns de nossos pintores foram estudar e se aperfeiçoar na França ou na Itália. José Ferraz de Almeida Junior foi um destes pintores que se tornou acadêmico da escola francesa no mesmo período do advento da fotografia e das primeiras exposições impressionistas em Paris. Embora tenha críticos que sustentem que este artista desenvolveu trabalhos mais autênticos antes de sua viagem, as gerações posteriores o saudaram pela ruptura com os temas exaustivos de alegorias e assuntos bíblicos se tornando responsável, aqui no Brasil, por uma rebeldia artística anterior às vanguardas. A euforia que este causou entre seus contemporâneos se deu pelas temáticas regionais, caboclas e caipiras como aquela prenunciada por Monteiro Lobato na coletânea Urupês editada em 1914.
Entretanto, os exemplos mencionados não foram necessariamente as libertação artística nacional e independência literária brasileira. E em geral, os pintores brasileiros que passavam uma temporada no Velho Mundo retornavam de lá europeizados, trajados de indumentária acadêmica. Um pintor que fugiu à essa regra foi Eliseu Visconti, o qual embora tenha sido consagrado em vida graças à triunfos escolares e acadêmicos, se sentiu enojado com os ambientes conservadores das academias, não se conformando com seus êxitos ao desdenhar dos galardões oficiais e optar pela sua consciência artística. Conforme Mário Pedrosa, os precursores do movimento moderno brasileiro só perderam por não terem tido contato com este velho mestre, que aprendeu diretamente na escola neo-impressionista as técnicas da luz, se tornando o primeiro na pintura brasileira a tratar com maestria o perigoso tema da luz tropical.


O escritor Oswald de Andrade atribui à Lasar Segall a primeira exposição de Arte Moderna no Brasil em 1913. Já em 1917, Menotti Del Picchia, também escritor, publica Juca Mulato considerado a antítese do personagem Jeca Tatu de Lobato. Foi neste período que se identificou a necessidade de transformação do pensamento e a integração do Brasil em si mesmo entre os intelectuais do primeiro grupo modernista. Estes buscaram ensinamentos em mestres europeus que pouco conheciam sobre nosso meio, perdendo a chance de encontrar na obra viscontiana preciosas indicações para o futuro das nossas manifestações artísticas. Separado e isolado deste grupo, Eliseu Viconti ainda viveu vinte anos após a incursão moderna e só obteve reconhecimento integral depois de sua morte, quando não poderia mais contribuir com os talentosos artistas que participaram da famigerada Semana de 22.
O modernismo está totalmente ligado às grandes cidades, com o início da eletrificação destas, onde propiciou rua, bares e cafés iluminados à noite e promoveu um convívio que até então era inexistente. Neste ponto, São Paulo estava na frente do Rio de Janeiro segundo Mário de Andrade, sua atualidade comercial e industrialização estava em maior contato com as atualidades do mundo. Foi neste ambiente também que eclodiu, ainda no século vinte, os Museu de Arte de São Paulo e Museu de Arte Moderna criados na tensão dos debates polarizantes entre o figurativo e o abstrato. Idealizado pelo MAM, surgiu também a 1ª Bienal Internacional de São Paulo inaugurada em 1951, completado sua função de ligar a América Latina ao circuito internacional de arte e fazendo da bienal um mecanismo de promoção e consolidação da arte moderna e também do campo artístico internacional, assim como em Veneza.


Referências:
Mário Pedrosa. VISCONTI DIANTE DAS MODERNAS GERAÇÕES. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 1950 (Crítica).

Rita Alves Oliveira. BIENAL DE SÃO PAULO: IMPACTO NA CUTURA BRASILEIRA. São Paulo, 2001 (Artigo).

Rosângela Miranda Cherem. APARÊNCIA E APARIÇÃO, O JOGO DE TRANSTORNOS NUM RETRATO DE ALMEIDA JÚNIOR. Curitiba, 2009 (Artigo).

TV Cultura. SEMANA DE ARTE MODERNA. 2002 (Documentário).